Toda nota. Todo sentimento.

Novembro 5, 2009

Estou aqui para falar bem de Fernando em Pessoa.
Um lugar legal que fomos ontem para assistir a um sarau musical de Chico Buarque, na voz e talento de Fernando.
Ai ai, confesso que voltei na adolescência (não tenho 60 anos, mas meu gosto musical tem! Thank, God.)
Voltarei sempre…
Como estava no passado pode ser que a minha memória esteja me pregando um peça, mas tenho quase certeza de que vi um ceuzinho com estrelas piscando, um príncipe e todo sentimento..

O que será que será? Pretendo descobrir no último momento..

Morte.

Novembro 4, 2009

Imaginem comigo. De repente em um determinado país as pessoas começam a parar de morrer. O tempo passa, acidentes acontecem, doenças se agravam, mas ninguém morre. Moribundos em seus leitos não se movem em direção à Ela (aqui neste devaneio a Morte é personagem, a principal). Ao lado dos quase mortos, os familiares revezam. Por um tempo, os amigos ficam por perto, mas eles também precisam cuidar de suas eternidades, por isso somem. Hospitais começam a encher, assim como a paciência dos que já estão cansados de se despedir.
Em âmbito governamental, cuidado redobrado nas fronteiras, uma força tarefa criada com pressa se depara com sérios problemas para conter a multidão que chega por terra, ar e água. Todos querem ver, e de preferência, viver a imortalidade.
Por outro lado, instituições começam a ser questionadas. A Igreja por exemplo, perde seu “conceito de campanha”: o medo humano da Morte. O Papa se reúne com Bispos e Arcebispos, “é necessário reavaliar, mudar de estratégia”. Padres e freiras temem por seus empregos, ou talvez, sua vocação. Os aspirantes, repentinamente, perdem essa vocação, Enfim, fala-se em concordata. Até mesmo o mármore da Basílica de São Pedro sente o drama.
E as funerárias? Só uma palavra: ferradíssimas!
O caos toma conta e, em uma mesa redonda, juntos, Igreja, Funerárias, Governo e muitas outras instituições procuram achar a solução: traçam metas, contratam os melhores do ramo. Pensadores e estrategistas para pensar, religiosos, já meio sem ter o que fazer, para rezar. Quem diria, amigos e desafetos se unem em torno do mesmo objetivo: fazer com que a Morte volte e coloque ordem na casa.

Este texto é uma mistura da minha imaginação com a ideia principal de um livro de Saramago chamado Intermitências da Morte.
Toda a ironia que eu admiro na obra de Saramago, neste livro, é estampada e grita. No final é inevitável pensar “e preciso morrer”.

Mas imaginem de novo.
Isso tudo habita o mundo da ficção, aqui, na vida real, é diferente. Existe um momento na vida da gente que respeitamos a Morte, existe um momento divisor de águas, existe um momento que tememos a Morte e a partir daí somos capazes de qualquer coisa para evitá-la. Esse momento chama-se nascimento de um filho. Meu Deus, é preciso viver.

my dear

Outubro 25, 2009

21/10

Outubro 22, 2009

Eu já estava reclamando que ela não tinha lembrado do meu aniversário… foi quando recebi por email mais do que uma lembrança. Posto aqui mais um texto da minha amiga (e colaboradora)! Cris, te devolvo o carinho daqui a alguns dias…

Então o que desejar para uma das pessoas mais iluminadas que conhecemos?

Alegria? Pode ser. Mas não é qualquer alegria. Desejo a alegria de todas as crianças, aquela alegria das brincadeiras gostosas que nos matam de rir.

Paz? Pode ser. Mas não é qualquer paz. Desejo a paz de todos os sonos, mas daquele sono que só descansa quem é justo.

Amor? Pode até ser. Mas não é qualquer amor. Desejo o amor de todos os poetas, daqueles que escreveram os versos que nos fazem suspirar.

Eu desejo o otimismo que só o futuro carrega, a intensidade que só o presente traz. E do passado, eu desejo que você o preencha com as melhores lembranças do mundo.

E já que a palavra de ordem é desejar e que por um erro geográfico eu não estou aí pra te abraçar, eu desejo então que este abraço que agora dou ao vento abrace o mundo e alcance você.

Feliz aniversário.

Te amo muito.

Cris

Jogo bom…

Outubro 15, 2009

Jogo de Cena, um ótimo filme de Eduardo Coutinho, que impressiona tanto pela essência quanto pela originalidade.
Nesse “quase documentário” discute-se o caráter da representação, onde primeiramente personagens reais contam suas histórias de vida, que passam a ser interpretadas por atrizes profissionais e finalmente essas atrizes entram no jogo de falar de suas vidas reais.
De repente, vem a pergunta: quem é a dona da história? Na verdade não importa, são histórias que se repetem e se multiplicam todos os dias: mães que perdem seus filhos, filhos que não são desejados mas enfim amados, mulheres jovens e mais velhas que vivem alegrias e tristezas da vida como ela é.
Em um momento Fernanda Torres diz algo assim: é muito difícil, a representação que geralmente é um processo, de repente se apresenta assim, como um assunto acabado, tem alguém ali que te mostra em que lugar você poderia ter chegado e não chegou.
Definitivamente, achei sensacional esse filme-documentário que tem um elenco de peso como Andréa Beltrão, Fernanda Torres e Marília Pêra, mas é a representação que brilha como personagem principal.

joão-ninguém X sem-terra

Setembro 20, 2009

Todos os dias eu leio a coluna da Rosane de Oliveira na Zero Hora. E neste dia 20 de setembro não foi diferente. Mas o que me faz escrever agora é a forma como discordo do que acabei de ler.
Em relação à morte do sem-terra Elton Brum da Silva na fazenda Southall em São Gabriel, a jornalista comenta: o silêncio (sobre e morte e os culpados) só se mantém porque não há pressão da sociedade pela divulgação do nome do rapaz. O morto era um joão ninguém – e não falta quem aplauda a violência contra os sem-terra.
Mesmo repudiando sempre a morte e a violência em relação a qualquer ser humano, a sociedade em geral tem tido muito mais a lamentar. Lamentamos por famílias que trabalham sem trégua é não conseguem seus sustentos, lamentamos pelas filas imensas em hospitais sem atendimento. Lamentamos pelos indigentes nas ruas, lamentamos a miséria, a falta de educação, lamentamos pelas crianças com fome e com febre. Lamentamos tudo o que nos fere, o que machuca o ser humano e sua dignidade.
Não tenho dúvidas que a sociedade silenciou em relação ao sem-terra morto – não por concordar com um assassinato – mas por estar cansada de acompanhar as barbáries que esse movimento comete e os rumos que essa verdadeira massa de manobra está tomando.
Minha cara Rosane, eu tenho orgulho especialmente de um joão-ninguém e tenho certeza de que cada pessoa neste Estado tem um João para se orgulhar. Meu bisavô se chamava João e era uma pessoa simples, um peão, um gaúcho que deu tanto duro que conseguiu ser alguém através do trabalho, através do trabalho na terra. Essa terra que faz divisa com outra terra, que abriga outra família e que muitas vezes conta a mesma história. Tanto uma quanto a outra pode estar ameaçada por uma causa vazia, ou melhor dizendo, por um bando sem causa nenhuma.
Hoje estamos na quarta geração e no futuro essa terra (já bastante dividida) estará nas mãos de um outro João, meu irmão, que vai herdar um pedaço do que construiu nosso bisavô: uma terra produtiva e cheia de história. Ele herdará uma missão para continuar e uma ameaça chamada MST que ronda toda uma classe.
Sei também que o tempo dos bisavós era outro e por isso eu lamento pela vida sofrida de tantos joão-ninguém, que assim são chamados por representar homens e mulheres comuns, trabalhadores sem oportunidades, gente sofrida. Pessoas que com esperança olham para os lados em busca de compaixão e com desespero olham para cima em busca de um milagre, mas não enxergam ninguém.

Para sempre teu, Caio F.

Setembro 4, 2009

Estou lendo sobre a vida de Caio Fernando Abreu, memórias que a escritora e amiga Paula Dip descreve assim “é importante dizer que este livro não é uma biografia, Caio não cabia numa vida, mas sim uma tentativa de registrar nossa amizade…”. Enfim, definições do amor.
Estou quase no fim e feliz com a sensação que este livro causa em mim. O livro não é apenas interessante pela vida e obra de Caio F., mas pelo momento histórico (década de 70 e 80) contado pelas vozes da cultura – talvez contracultura – da arte, um verdadeiro testemunho das décadas finais do século XX, anos de extremos, de antagonismo, assim como a personalidade de Caio Fernando Abreu.
Além de uma boa sensação, sinto também uma certa nostalgia da minha profissão de origem (publicidade) que tem a criatividade na atmosfera. Sei que é ilusão em alto grau causada pela tendência de viver com um pezinho (e um pensamentinho) no passado, mas é uma boa ilusão.
Vou fazer o seguinte: procurar à minha volta a “poesia” que o meu chefe diz que existe no lugar onde trabalhamos. Muitas vezes acho que esse termo é usado como sinônimo de beleza, de rima, de ritmo, de um happy end – talvez aí divergimos, meu amigo. Para mim, a poesia de estar em um lugar ou em um momento é a forma como isso consegue me atingir, a intensidade da alegria ou da dor causada. Para mim não adianta representar o poder ou a beleza ou a tristeza ou a felicidade, mas sim, ser constituído verdadeiramente disso.
(Entretanto, também acredito na poesia de ser testemunha através do trabalho de um momento histórico importante.)
Não se pode negar que um lugar que sugere status, que muitas vezes é foco de atenção, de poder, que está na mira da mídia, naturalmente é interessante. E poético ao seu modo. Mas não creio nessa “ribalta”, ao contrário, sinto pena de quem se importa muito com isso, percebo os problemas decorrentes dessa relação deturpada com o poder. Essa relação que fecha os olhos e ouvidos para algo que não esteja na superfície.
E o pensamento crítico? E a capacidade de análise? E a independência de opinião? E a liberdade de expressão? Essas questões me parecem estar na contramão daquele discurso de que “não adianta, sempre funcionou assim…”. Confesso que sou quase alérgica a essa frase.
Mas onde andará Caio F.? Vou agora mesmo procurá-lo nessa biografia de muitas vidas…

Qualquer nota

Agosto 24, 2009

Enfim, quarta-feira, dia 26, será instalada a CPI da Corrupção na Assembleia Legislativa. Tudo indica que a gota d’água para conseguir as assinaturas finais foi a coletiva que o Ministério Público Federal concedeu para falar da ação de improbidade administrativa envolvendo, entre outros, a governadora do estado, seu ex-marido, três deputados, entre outros do cenário político gaúcho.
Confesso que fiquei ansiosa para ler o documento de mais de mil páginas que trazia os áudios transcritos, mas que até então estava em segredo de justiça. Queria entender um pouco como funcionava o famoso esquema nas próprias palavras dos reus.
Antes mesmo da justiça suspender o sigilo, o documento vazou em um site jornalístico e eu pude ter o tão esperado acesso. Fui correndo, li até a madrugada e depois perdi o sono.
Comecei a leitura já pensando no que escreveria no blog, imaginei um texto à altura do que estava lendo.
Aqui estou eu, quase sem ter o que dizer… fiquei consternada com a ignorância, com a pobreza de espírito, com a desonestidade, com a submissão de um, com a arrogância de outro. Vi decadência naquelas páginas, li falta de princípios, entendi a repulsa. Fiquei com pena do ser humano…

Agosto 6, 2009