Minha filha. Teu impulso juvenil é minha vida que passa. Tua altura em busca da minha. Tua alma em busca da tua. Minha filha, flor de mim. É minha vida que passa. Tuas noites menores, minhas noites maiores. Teu rosto alcançando o espelho. Minha filha, meu reflexo em ti. Teus despertadores em novas horas. Tua falta de tempo, teu próprio tempo. É minha eternidade que passa. Minha filha, parte minha ao meu lado. Meus olhos que encontram teus olhos no horizonte. Tuas angústias em espelhos d’água. Minha filha, minha dor, meu amor, teu humor, tua dor. Teus copos de vidro. Teus dentes permanentes. Tuas certezas absolutas. Tuas palavras corretas. É minha vida que passa. Tuas chaves, teu passaporte. Minha filha, meu caminho. Teus cortes de cabelo. Tuas pernas que transbordam meu colo. Meu colo vazio. Minha filha, minha vida que vive, que pulsa, é tua vida que passa por dentro de mim. Tua mãe.

Reforma!

junho 20, 2013

A aparente falta de foco nas manifestações acabam por demonstrar um foco: é o basta! É o chega de tudo isso causado pela  má administração de dinheiro público! Já era hora. Acordamos tarde como nação. Agora, é importante dizer que esse grito em coro é apenas um desejo coletivo, uma vontade de que alguma coisa melhore nesse país. Conceitualmente estamos bem. O segundo passo é a necessidade de um planejamento para colocar em prática nosso desejo de mudança.

O que importa para os políticos? A eleição/reeleição. Bom, é translúcido que o sistema eleitoral vigente não nos possibilita ter a legitimidade do nosso poder de controle e fiscalização. Está comprovado: precisamos de uma reforma eleitoral.

Apenas um exemplo: o voto distrital misto, como na Alemanha: metade das cadeiras do Estado é dividida em distritos eleitorais, e os deputados são eleitos pelo voto majoritário e, a outra metade, ocupada pelo voto proporcional, em lista fechada.  Sendo ou não o mais adequado para a realidade brasileira, esse modelo aproxima o eleitor do seu eleito. Se queremos fiscalizar, parece-me um bom começo.

Qualquer reforma dessa natureza só se dará por pressão e tensionamento. Qual congressista se arriscará a votar em alguma alteração no sistema que o elegeu? Pois, então: nossa panela está fervendo de tanta pressão. Podemos exigir essa reforma sob pena de acabar com qualquer eleição! Pois temos ou não o poder do voto? O que seriam as eleições sem o nosso voto? Temos hoje alguma de nossa força?
Ou abrimos a tampa dessa panela embaixo da torneira e vamos deixando entrar água fria, para esfriar nossos ânimos, inundar nossas gargantas e lavar as nossas ruas.  

O Melhôr

março 26, 2013

https://abascal.wordpress.com/2012/10/01/o-millor-que-faz-falta/

Comprei um livro de aniversário (em 2012) para o Fábio Goes, meu amigo relativamente novo: de milênios, milênios e milênios. Um livro do Millôr! O gênio Millôr! Mas o assunto não é o Fábio, nem o Millôr. E sim, como eu me sinto quando leio alguns textos do nosso intelectual: triste. De tão verdadeiras as suas palavras, revestidas do melhor humor que se possa expressar.

(o livro eu não dei para o Fábio!)

Para Cachinhos Dourados

março 26, 2013

Pequena leitora, Rafaela, há quase seis meses fizemos um trato (eu, inclusive, registrei isso aqui no blog). A cada livro finalizado da série Diary of Wimpy Kid, ganharias um presente a tua escolha.
Bom, ontem à noite acabaste o 6º livro, acho que são 7 no total. Média de 1 por mês, fora as leituras da escola e outros títulos em português. Ótimo! Não me canso de elogiar, não me canso de ficar feliz. Ontem, de longe, fiquei ouvindo a tua desenvoltura na leitura, a tua capacidade de assimilar as entrelinhas do humor, a graça do teu risinho pronta para dormir, de camisola, de banho tomado e com o cabelo seco, logo após ter tomado uma sopinha feita pela Dada e o remédio para alergia. Um risinho só teu, às vezes alto, gargalhando, às vezes baixo, mas que irrompe o silêncio de uma televisão desligada, que ilumina a minha noite (que já está a meia luz às 20h). Esse risinho é música, não, não tem acordes, é poesia imaginada, silenciosa. E eu, após um dia de trabalho, uma hora de academia, um instante de arco-íris pinçando Porto Alegre, estava ali, aproveitando essa felicidade simples tão retratada nos discursos, mas tão deixada de lado na correria da vida.
E o prêmio escolhido por ti foi “o colar de melhores amigas”. Minha filha, quase de cabelos lisos, está crescendo, meu eterno bebê de cachinhos dourados, divide um coração e oferece a uma amiga, divide seus sonhos, seus segredos de menina de 8 anos, sua ingenuidade, seu Coelhinho da Páscoa, sua Fada do Dente, meudeus, deixa eu aproveitar!, isso dura pouco, só o tempo daquela ilusão, daquele arco-íris, pois afinal, já estás avançando na leitura, nas séries escolares, na altura, enfim, logo, logo, terás a certeza de que teus brinquedos nunca ganharão vida. É a vida!

(texto escrito semana passada)

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Escrevi no último post o seguinte: “a revista mais importante do país”, me referindo à revista Veja. Antes de qualquer coisa, uma confissão: tenho o hábito de ler livros, não revistas e jornais impressos. Apenas os leio quando algo me interessa, por essa razão, senti um pezinho na inadequação ao fazer tal afirmação.
Uso este blog já há bastante tempo porque gosto de escrever. Escrevo o que quero, nem sempre livremente, claro, recorro à prudência, de vez em quando. Estampei a minha cara bem na frente, não livremente, claro, escolhi uma foto que considero bonita. Então, tudo aqui é meu e de quem quiser, quem aqui se encontrar. Ainda assim, na grande maioria dos casos, o que já postei, foi compartilhado com as pessoas mais próximas, aquelas com quem eu tenho alguma relação, como já expliquei em “la ragione”, na capa.
Hoje, pela primeira vez, aprovei os comentários de pessoas que eu nem conheço (no último post). Ratifico: é mesmo a revista mais importante do país. Leitores repercutindo uma matéria – por admiração ou indignação, em um post, que embora traga a minha opinião mais verdadeira, tem o fortíssimo viés de uma relação de afeto. Imagino a repercussão em alguns outros lugares. Isso deve ter levantado uma fumaça danada!

A última Veja chegou só agora às minhas mãos, uma edição que traz a reportagem de capa Maconha – as novas descobertas da medicina cortam o barato de quem acha que ela não faz mal. Estou muito orgulhosa da minha prima, a jornalista Adriana Dias Lopes, que assina a matéria. Não apenas pela riqueza de sua escrita, qualidade das fontes, pela clareza, coerência, enfim, pela excelente matéria – nem se poderia esperar menos da capa da revista mais importante do Brasil. Estou orgulhosa, sobretudo, pela importância dessa reportagem, que não tenho dúvidas terá sérias (e positivas) influências no rumo da questão no país. Na minha opinião, foi abordado o assunto por completo: do ponto de vista legal ao medicinal.
É no mínimo uma pausa no oba oba em torno do modismo da legalização e da aparente caretice de quem é contra. Dá até um fôlego para alguém, como eu, que jamais experimentou essa droga, poder reafirmar a posição com tranquilidade.
Adriana, o mais sincero elogio que eu posso te dar é o seguinte: esta edição ficará guardada, para que chegue o quanto antes às mãos (e à cabecinha) da Rafaela.

Tears!

outubro 29, 2012

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Los derechos del lector

outubro 29, 2012

Há tempos, li que o leitor tem direitos e adorei. O título do artigo era Los derechos del lector. O que mais me chamou a atenção foi um que dizia que o leitor tem o direito de abandonar um livro, se assim o desejar. Que alívio poder parar no meio ou, até mesmo, logo no início de um livro. Mesmo assim, abandonar totalmente um livro não é, definitivamente, um direito que eu exerça com tranquilidade, no máximo o coloco em suspensão. Atualmente, tenho quatro bons livros em suspensão: Grande Sertão Veredas, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Man’s Search for Meaning e outro do Juan Jose Saer, que de tão suspenso, não lembro o nome). (Outro em suspensão recente: Chega de saudade.)
Estranho falar dos livros suspensos logo hoje, que é o dia nacional do livro. A lógica sugere que eu fale sobre os que estou lendo. Bom, contrariar a lógica também é um direito (do escritor) que eu instituí neste blog. E também já vou parando por aqui (outro direito), só passei para propor um brinde solitário, às 15h e 40min, ao importante dever e ao prazeroso direito de ler!

Para Cachinhos Dourados

outubro 23, 2012

Antes de dormir, um ensaio sobre uma cabecinha de 7 anos.

– Rafaela, vai arrumar o teu quarto para dormir.
– Já vou mamãe, mas antes tenho 5 perguntas, é sobre o mundo…
Como surgiram as árvores, se no início de tudo, não tinha nada, nem semente?
– Filha, no início eram micro plantinhas, que com o passar dos milênios foram se desenvolvendo e chegaram até às florestas. (acho que não fui tão mal…)
– A segunda é: se não existe cor, se nossos olhos é que formam, como eu e tu estamos vendo que este cinto é vermelho? Tá vendo que é vermelho?
– Pois é, formamos a mesma cor. (essa não foi nada bem!)
– Tá, se Adão e Eva foram expulsos do paraíso e depois morreram e os filhos deles também morreram, como vieram as outras pessoas?
– Ora, os filhos de Adão e Eva também tiveram filhos..
– Não, não fala nada disso, pode pesquisar na Bíblia.
– Tá, vou pesquisar. (a ciência e a religião de mãos dadas em nosso diálogo).
– O mundo é redondo, né? Como os astronautas saem para ir para o espaço? Como eles não batem na parte dura?
– Filha, nós estamos na superfície da bola e não dentro dela. (faço a ilustração com a mão)
– Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
– Agora vai arrumar o teu quarto.
– Mamy, tem mais uma, é sobre os mares. Depois eu fico aliviada..
– Tá.
– Como pode ter tanta água, tanta, tanta e ainda assim ter lugar para a gente e para todas as coisas?
– Porque além da água, tem a terra. Em uma proporção de 7 para 10, é água, o resto é terra.
Tá, baby, já arrumei o quarto, agora pega o teu livro e vai dormir.
– Posso dormir contigo?

Rafarela (Rafa + tagarela), como estamos lendo Reinações de Narizinho do Monteiro Lobato, uma das possibilidades é que tenhas tomado uma pílula e: tagarelou, tagarelou a falar!!!!!

“O dia se renova todo dia
Eu envelheço cada dia e cada mês
O mundo passa por mim todos os dias
Enquanto eu passo pelo mundo uma vez
A natureza é perfeita
Não há quem possa duvidar
A noite é o dia que dorme
O dia é a noite ao despertar”

Velha Guarda da Portela

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