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outubro 29, 2008

 

Escrevo para minha mãe que vai ler e gostar; para o meu pai que não vai ler, mas que sabe do que estou falando; escrevo para meus irmãos, que são os meus ouvintes desde sempre; escrevo para quem não é dado a elogios, mas ao ler sobre Dom Segundo falou que me expresso como poucos; escrevo para quem está todos os dias ao meu lado esquerdo, pronta para qualquer coisa; para quem está além-mar, pronto para o combate; escrevo para uma pessoa desconhecida, de um blog desconhecido, que teve uma perda inimaginável e que me inspirou;  para quem perdeu o seu tempo e escreveu um comentário aqui, porque de alguma forma o que escrevi o instigou; escrevo para meus primos de longe e de perto, nunca esquecendo que na condição de prima me sentirei sempre jovem; escrevo para a minha primeira amiga; escrevo para a sua filha que ainda não sabe ler; escrevo para quem se parece comigo e considera o que escrevi algo digno de sua própria definição;  para quem precisava ouvir um conselho e me pediu ajuda; escrevo para quem retornou aqui porque concordou ou discordou; escrevo para quem eu escreveria um soneto (se eu pudesse); escrevo para a minha filha que está aprendendo a escrever e para mim mesma, que também estou.

Para Cachinhos Dourados

outubro 29, 2008

 

Lembro do dia em que ouvi de ti, há pouco tempo, mamãe, eu te amo 20, naquele momento esse era o maior número que tu conhecias, tu me amavas o máximo, exatamente como deve ser o amor. Eu, filha, te amo infinito.
É com essa intensidade que te aconselho viver, não tenhas medo de sofrer, já que é inevitável, pois o mundo é também de perdas e o teu ainda nem começou. Mas não esqueça que a felicidade também é inevitável e imensurável, portanto faça-a do tamanho que quiser.  E essa busca – pela felicidade – não deve ser usada como antídoto ao sofrimento, pois é necessário saber conviver com ambos. Dificilmente conhecerás apenas um deles.
E se acontecer de sofrer muito, mesmo que doa, sentirás na pele o que é coragem, porque a vida deve continuar (assim como a escola, a leitura, os amigos, o ballet, o cinema e tudo o mais que fizer parte)
Preste atenção quando alguém te disser “sejas feliz”, claro que deves acreditar na boa intenção, mas muitas vezes, as coisas são ditas por dizer, esvaziadas de significado, é apenas repetição, protocolo, aproveite para refletir sobre o significado das palavras, pense sobre o que disse o poetinha “é melhor viver do que ser feliz” (e se chegar a uma conclusão, me fale) e leia mais Vinicius de Moraes, a obra dele te contará uma bonita história sobre isso.
Imagino que hoje o teu amor seja 40, talvez 50, fico feliz com o teu crescimento.

 

A explicação

outubro 29, 2008

 

Motivada pelo conteúdo de um blog desconhecido, de uma pessoa desconhecida e por muitos sentimentos, escreverei algumas coisas especificamente para Rafaela. Alguns conselhos, pode-se dizer assim, baseados na amizade. Quero escrever também para me comprometer, pois hoje ela ainda é um bebê dependente, que em breve começará tomar suas próprias decisões e, por isso, eu, na tentativa de protegê-la, talvez mude de idéia sobre muitas coisas. Ficam aqui, em Para Cachinhos Dourados, alguns pensamentos de mãe, mas sobretudo de amiga.

21 de outubro de 1977.

outubro 21, 2008

 

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

(poetinha)

Injustiça

outubro 7, 2008

 

Os concursos mais difíceis do país geralmente têm como fase final a prova oral. Acho correto aferir se o candidato tem capacidade de responder questões de improviso de forma clara, concisa e objetiva. Mas a realidade me parece outra, hoje vejo que essa etapa do concurso anda por caminhos muito subjetivos, dando margem a interpretações, injustiças e até favorecimento. As histórias muitas vezes se repetem, a banca de magistrados, promotores e procuradores deixam o candidato em pânico, tirando o chão e o que resta de estabilidade do coitado ali na frente com o argumento de que é preciso avaliar emocionalmente o candidato (no caso o cotado ali na frente). Um absurdo! Esses profissionais não são capazes de julgar emocionalmente as pessoas, para isso existem psicotécnicos. Claro que é inegável que uma prova oral avalie o auto-controle, a capacidade de argumentação improvisada, o equilíbrio, enfim, o subjetivo, mas sempre relacionando esses comportamentos com o conhecimento, com a capacidade intelectual. Difícil se colocar em uma situação dessas: se preparar anos, passar por três ou quatro fases de concurso e no final ser eliminado por um modo no mínimo subjetivo demais. Profissionais da área da psicologia ou psiquiatria tem a capacidade de testar alguém emocionalmente e avaliar o seu comportamento, alguém da área do direito vai no máximo irritar alguém com essa tentativa, e daí, já era, foi tudo por água abaixo, anos de estudo, de dedicação, de isolamento até. Dá mesma forma, vai por água abaixo um sonho, uma nova carreira e o respeito pela instituição.

 

para a felicidade geral…

outubro 3, 2008