fevereiro 26, 2009

lá fora

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João e Pedro

fevereiro 25, 2009

eles ainda são assim...

eles ainda são assim...

a camiseta

a camiseta


o primo

o primo


a casa

a casa


a vizinhança

a vizinhança


a prima

a prima

a carta da governadora

fevereiro 18, 2009

Esta semana, a Governadora do Estado Yeda Cruzius escreveu uma carta ao colunista Paulo Sant’ana. Uma carta escrita a mão, símbolo do teor pessoal, que acabou sendo publicada em sua coluna na Zero Hora. (imagino que com o consenso da governadora).
A idéia não parece ter saído da cabeça de um assessor, parece verdadeiro o tom de desabafo, de desolação até.. Achei meio estranho ler os sentimentos da governadora, que ali se parecia muito com uma mãe, avó, esposa, enfim, uma senhorinha se queixando. Penso que foi uma deixa: “se não agüenta, pede para sair”.
Claro que os políticos de uma forma geral fazem o mesmo, não raras vezes se colocam no lugar de vítima, como atores, choram e juram, seguem a risca o que o marqueteiro pensou, o que o assessor escreveu. O curioso nesse caso foi o seguinte: a governadora foi verdadeira, parecia realmente um desabafo, parecia uma mulherzinha escrevendo em seu diário.

A solidão do poder
* Texto publicado na página 47 de Zero Hora

Recebi uma carta-desabafo da governadora Yeda Crusius e vou, confiando na tolerância da remetente, cometer a inconfidência de publicá-la: não achei justo que os leitores fossem privados dessas reflexões da nossa governante:“Querido Paulo Sant’Ana. Bom dia!
E que lindo dia, o primeiro sem horário de verão deste ano.
Amo o horário de verão, o dia mais longo, a noite mais curta, o calor.
Amo tanta coisa…
Acordei com a garganta meio ‘pegada’, o corpo me indicando que ainda não consegui ‘pegar leve’.
Esta será uma mensagem para eu não adiar mais o que queria: te contar coisas escrevendo à mão, como é do meu tempo, o tempo do respeito, do selo na carta, do envelope chegando pelas mãos do carteiro, tão aguardado envelope, tão especial mensagem, tão pessoal ‘tua letra’, às vezes com um pingo de perfume lá em cima, na data, ou mesmo uma folha de alguma árvore ou flor da estação… Pessoal, como é esta mensagem, entenda.
Não tenho conseguido esse tempo. Então não vou mais adiar.
Como você tem acompanhado, não me permitem esse tempo.
Quando me perguntam ‘como você aguenta’ respondo de dentro do coração. Pois quando tomei em 2005 a decisão de buscar governar o Rio Grande foi porque havia:
uma ideia
um projeto
um grupo de pessoas afinadas
um Estado
um povo
uma política
uma boa política no tempo das tão más políticas.
A ideia continua viva, muito viva. O grupo de pessoas desafinou, desmanchou, quem sabe pelo tamanho do empreendimento e a dedicação absolutamente total e integral que exigia o projeto. Como você tanto acompanha, o projeto tem cara sim, é bonito, coletivo, construtivo, respeitoso, doador. O Estado é o nosso, esse Rio Grande que não se definiu logo ao nascer, se platino, se brasileiro, diferente. O povo é esse povo que amo, meio caudilha que sou, e a quem pude somar filhos e netos, infelizmente esses que terão que ver os cartazes dantescos de sua vó pregados em cada tapume onde fiquem pessoas paradas esperando ônibus. Como tiveram que ver meus filhos nos tempos da faculdade porque a mãe decidiu ir para a tribuna fazer política como ‘uma ingênua tucana’ que queria fazer a política da igualdade (a da bandeira, a do gênero) em Porto Alegre. Nos cartazes pregados nas paredes internas da UFRGS estava a foto e ‘traidora do povo’. Eles, meus filhos, se foram em agosto de 1996, viver em outras terras sem essa cultura que crescia por aqui, e que tanto prejudicou o Rio Grande.
Eu fiquei. Por uma ideia. Por uma intensa necessidade de comunicação, pela vida como ela é para cada um, por fazer política, que é bom fazer quando se tem ética, responsabilidade, sem medo da mudança, de estar à frente do batalhão, porque confio em cada dia, e vivo sem ficar na janela vendo a banda passar esperando a sorte, esperando a morte… como diz a música.
No giro pelo Brasil duas coisas me deixaram feliz: primeiro com o orgulho dos outros brasileiros porque o Rio Grande saiu das manchetes nacionais negativas, e a governadora, que eles conhecem antes de ser governadora, estar sorrindo, mostrando que o Estado já paga suas contas em dia, que deu a virada na situação que contradizia com o Rio Grande histórico e presente que eles conhecem. Segundo, porque a honestidade da Yeda que eles conhecem foi provada, olhado documento por documento, rastreado cheque por cheque, a casa é limpa!
Depois, uma dificuldade que se repete pois todos me perguntaram: por que tudo isso? Por que te batem tanto, ao ponto do massacre? Dificuldade para eu responder porque não é de meu feitio falar dos outros, mesmo que mereçam. Humanidade (a da bandeira) é coletiva mas também individual. Lembro-me da tua pergunta naquele Jornal do Almoço que, com tua sensibilidade, perguntavas o que era central: por que a senhora não fala deste ou daquele secretário? E eu te respondi: “São pessoas caídas, Paulo, pessoas caídas”. E quanta coisa já se fez, quanta vida já se viveu!
Só que até este momento, mesmo com o alucinante caráter deste nosso governo, vivi o que dois filmes retratam. A arte consegue dizer em duas horas o que uma vida inteira custou para criar. Sei que não temos tempo de ver filmes, tudo hoje na vida é VT, não filme, rápido, desmanchando no ar. Então te falo deles na esperança de que você os tenha visto quando passaram nos cinemas.
O primeiro é A Letra Escarlate. A mulher de que trata o filme teve que desfilar com a marca ‘A’ de adúltera pela aldeia onde vivia, porque se casou de novo, pois havia ficado ‘viúva’ até o marido aparecer de novo da floresta, depois de praticar maldades inomináveis. Ela desfilou, chorou, perdeu, com a infinita paciência que tem a mulher para entender como o ‘homem’ da nossa civilização age quando se trata de posse, poder e sexo. Ao final, tudo se esclareceu. E ela não estava amarga, não havia feito nada que considerasse errado durante todo aquele período de provação, e viveram na mesma aldeia depois do pedido de desculpas público, da restauração, do líder da mesma.
Considero a coletiva do Dr. Mauro Renner quando provou a idoneidade da casa como o ‘The End’ do meu filme. Pude tirar o colar da Letra Escarlate. E continuar governando o Rio Grande, eleita que fui para honrar compromissos e fazer a roda virar para a frente. O povo sentiu-se aliviado, a sombra carregada da dúvida, para os que seguem a política, foi afastada. Brilhou o sol de novo, a alegria podia ser mostrada à luz do dia. Este o 2008, o ano que terminou com Déficit Zero e a honestidade provada da governadora.
O segundo filme é mais recente O Escafandro e a Borboleta. Raras vezes me permito chorar no cinema. Mas nesse filme o fiz por muitas vezes. Pois é ele que me referencia durante esse período de governo, desde a famigerada Operação Rodin aos 10 meses de governo e uma derrota inacreditável na Assembleia do projeto de restauração do Estado, por todas as razões que não interessa aqui descrever mas que tem a ver com a tua pergunta naquele Jornal do Almoço. Eu fiquei no escafandro. De certa forma, estarei nele até que possa ter o produto final por aquela terapeuta e seu método de escrever o livro ditado pelo único pedaço do homem no escafandro que se movia: o olho.
E quando estiver escrito, poderei voar como a borboleta.
Arrisco que muito não seja percebido desta longa mensagem, Paulo. Se os filmes foram vistos então sim, muito será entendido. Mas não desisto, não vou entregar prus ôme de jeito nenhum, amigo e cumpanhêro.
E para te dizer da minha admiração, da minha companhia através das tuas colunas (TV não vejo mais e rádio também não ouço, foi demais nesse período, um pouco de proteção criei), sempre, do meu amor pela vida que te inclui de modo afirmativo e de tanto tempo. Nunca dou de ombros. Só entenda o escafandro. Não me deram nenhuma folga até hoje. Esta é da decisão de escrever, é num lindo domingo, uma mensagem pessoal – entenda, não deve ser pública.
E para te presentear com o que não aconteceu, vou te remeter o Manifesto da Marca do Governo Yeda. Não é nem será público. Por isso, vai com selo. Creio que o Luciano do GAD é um dos que, como a fisioterapeuta do livro, entendeu. Mas por enquanto não há condições de mérito para eu dar esse upgrade nem ao meu governo nem ao Rio Grande que não quer ser sacudido a cada dia com uma ‘crise de governo’.
Algum dia mais adiante sim.
Abraço muito afetuoso
(ass.) Yeda Crusius, governadora do Estado”.

O menino do fundo

fevereiro 17, 2009

cafe

O menino que é precoce, que é maduro e que tem convicções profundas ainda não está pronto – como ninguém está – nem sequer percebeu que o menino envergonhado do fundo da sala de aula ficou lá, cada vez mais no fundo, e que a sua timidez já cedeu lugar a uma nova atitude. O tempo foi passando e os sonhos do menino já estavam em outras salas, outras escolas e outras cidades… mas suas raízes nem se moviam.
O menino que não perguntava porque tinha vergonha, hoje tem muitas respostas, e sobretudo para ele, é importante sempre tê-las. A convicção se faz necessária até mesmo quando não se tem tanta certeza, ou ainda, quando só se tem incertezas. Muitas cadeiras e mesas foram ultrapassadas, uma a uma vencida em pequenas ou grandes batalhas internas. Tudo seria mais fácil se todas essas questões viessem em cápsulas, como no café, com medidas e proporções exatas. Aliás, tudo sempre é mais fácil quando a combinação perfeita encanta os sentidos.
A alma do menino ficou no fundo da sala. Mas e o resto? Corpo e alma separados? Não, a alma deve ser exatamente isso, o que permite que persista o menino do fundo da sala, tímido, envergonhado, que evita perguntas na tentativa de evitar o confronto, mesmo que este menino agora já esteja sentado bem na frente, no lugar do inevitável.

pinta, nina e santa maria

fevereiro 17, 2009

draw

draw

viva la vida

fevereiro 13, 2009

fevereiro 8, 2009

Este texto escrevi há mais de quatro anos, na penúltima eleição para prefeito. Em meio a tantas confusões políticas em Lavras do Sul, achei pertinente postar agora.
Eis a minha opinião sobre o Paulinho há quatro anos, eis a minha opinião sobre o Paulinho hoje.

Paulo Alcides Vidal de Souza! Assim ele poderia ter sido. Mas não, escolheu ser o Paulinho.
Acho que foi uma boa escolha. Sendo Paulinho, não se diminuiu, pelo contrário, se tornou maior, pois seus pensamentos e idéias nunca estiveram no diminutivo.
Em sua vida, não se colocou em primeiro lugar, sua família, amigos e a sua comunidade foram sempre prioridades. Não fez questão de brilhar, fez questão de ser, acima de tudo, uma boa pessoa.
Um administrador público precisa, antes de mais nada, ser um administrador do público. Além de administrar papéis, máquinas, projetos, construções, é preciso administrar gente. E para isso, é preciso entender de gente. Conhecer as pessoas e suas habilidades, saber onde elas moram, quais são as suas necessidades, o que as fazem felizes, o que fere a sua condição de cidadãos, em que acreditam, o que realizam e com o que sonham.
Com o Paulinho sempre foi assim: sempre gostou de gente, sempre colocou as pessoas em um lugar de onde nunca deveriam sair, de onde ninguém conseguisse tirar: ou seja, acima de qualquer bem, de qualquer coisa.
Penso que, nesse contexto, as pessoas que administram, de uma maneira geral, dividem-se de duas formas. Aquelas que, por exemplo, começam a vida com uma casa e que, por esforço e trabalho, conseguem multiplicar seu patrimônio e chegam ao final com mais três casas. E, existem também aquelas que começam a vida com uma casa e que ao longo do tempo, também, por esforço e trabalho, conseguem contribuir para que mais três famílias consigam uma casa.
Esses dois tipos de administradores, porque não dizer assim, multiplicaram bens, aumentaram patrimônios, progrediram, fizeram parte e viabilizaram a construção de mais três casas. Usaram seu talento e seu trabalho para isso, cumpriram com o seu dever.
Esses dois tipos de pessoas são elogiáveis.
Aquele que aumenta o seu patrimônio, terá uma família e amigos orgulhosos e agradecidos e uma boa posição na sociedade. E aquele que se doou aos outros, além de ser um grande pai, um grande amigo, um grande vizinho, ele terá também uma enorme compensação: a de ter sido ao longo de sua vida um grande ser humano. Grande daquele jeito que não mede esforços para que outros tenham uma vida melhor, que pensa no bem das pessoas e não apenas em seus próprios bens, que se dedica ao que precisa mais, ao que tem o maior sofrimento e a menor sorte.
Deve ser essa a pessoa que o Paulinho enxerga em seu próprio espelho. E acho que reflete uma realidade, pois é desse jeito que ele é lembrado. E que siga seu caminho assim, sendo Paulinho e sendo cada vez maior.

………..

Desconfie de quem se torna uma boa pessoa três meses antes de uma eleição, porém, se essa bondade for a marca de uma história de vida, ao contrário, reverencie.

fevereiro 8, 2009

Imagino que quando José Sarney entrou para a Academia Brasileira de Letras – aquela mesma que negou Mário Quintana – tenha se sentido confortável na condição de imortal, pois, pelo menos no poder, ele é perpétuo. Ao invés de uma grande obra, mais de meio século de mandatos em cargos públicos, o mais recente, a  Presidência da Senado Federal.
Não o vejo como oposição, nem como situação, seu lugar parece ser o lugar do poder. Um coronel do Maranhão que caiu de pára-quedas na presidência do país, deixando como legado uma inflação de 90% ao mês e nos condenando a um desastroso segundo lugar em 1990, com a segunda maior inflação da história mundial.
Dono de um império em comunicação, inclusive a retransmissão da TV Globo no Maranhão, Sarney joga com o seu poder local e nacional, usando um para fortalecer o outro, já que política é feita, em grande parte, de imagem.
Aparentemente de lados opostos, Sarney tem forte ascensão sobre o Governo Lula, e no jogo de uma mão lava a outra, oferece em troca, o importante apoio que o presidente precisa da ala conservadora da política nacional.
E aqui, a imortalidade alcança outros caminhos, José Sarney nos deixa descendentes na política, uma herança genética, moral e ética que nos acompanhará. Nos deixa páginas de sua biografia, inclusive as que ajudou a escrever na Constituição, nos deixa frente a uma reforma ortográfica incompleta e onerosa. Nos deixa um discurso ultrapassado em sua posse como Presidente do Senado, enfim, marcas profundas em nossa história.
E mesmo assim, com tantas evidências de sua perenidade, tenho a sensação de que ele já passou, enquanto Mário Quintana, já sabem, ora bolas: eternamente passarinho.