São Paulo

abril 30, 2009

São Paulo é de concreto, claro que é, São Paulo é cinza, claro que é. Mas para ti, meu bem, porque eu vejo cores e todas as interpretações que só o abstrato alcança.

Mariana diz:
– vou arrumar a mala, qual a temperatura em SP?
Adriana diz:
– olha, o tempo está gostosinho, traz blusa média.
Mariana diz:
– me diga em graus e não em adjetivos, é mais prático para arrumar a mala (a minha é minúscula e eu levo sempre o mínimo, “mulher às avessas”)
Adriana diz:
– acho que vai esfriar, mas pra vc talvez pareça um forno.
(não sei pq as pessoas acham que gaúcho não sente frio)
Mariana diz:
– vou dormir na tua casa?
Adriana diz:
– minha mãe não deixou de jeito nenhum, sério. levo vc pra higienópolis depois do jantar.
(oba, estão brigando por mim)
(oba, vou dormir na tia Déia)
Mariana diz:
– então até amanhã!
Mariana diz:
– se tudo der certo no espaço aéreo..
Adriana diz:
– se o avião não cair…
Adriana diz:
– hahahaha
Mariana diz:
– ha
Adriana diz:
– beijos mil
Mariana diz:
– baci

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Reserva Legal

abril 28, 2009

O conceito de Reserva Legal não é nenhuma novidade, pois foi definido no Código Florestal desde a sua criação. Mas uma medida provisória muda essa definição. Com ela, propriedades rurais em desenvolvimento econômico-social ficarão sujeitas as novas exigências da Reserva Legal.
No RS, proprietários rurais deverão sacrificar 20% de suas terras para atender à medida da União, sendo de mato ou de várzea, produtivas ou improdutivas, 20% das lavouras de soja, trigo, milho, pastagens, deverão ser revertidos em área nativa.
Passarão do produtor, pelo cartório de registro de imóveis até a União. O que me causa dúvida nisso tudo é a opinião pública, como irá se comportar? Os vegetarianos já sei, os macrobióticos também, os “eco-chatos”, os membros do greenpeace, os artistas “engajados”, esse pessoalzinho do “salve o não sei o quê”, os rutz, os puramente teóricos, enfim, essa turma toda eu já imagino como irá se comportar. Mas e os outros? Os cidadãos ditos comuns, servidores, professores, balconistas, médicos, enfim, pessoas conscientes, que geralmente tem uma opinião sobre o que está sendo discutido. O que esperar deles? Não sei, justamente porque a causa, em essência, é nobre (e isso pode confundir!), preservar para salvar nesta onda de destruição é um conceito de campanha muito forte, salvar o mundo a pedido do resto do mundo é missão heróica. Mas, escolher uma classe e ordenar, através de uma lei, que ela entregue 20% de seu meio de produção, de seus bens, enfim, de sua riqueza para uma causa que é de todos, acho no mínimo, uma piada. 20% de empregos nesse setor vão virar mato, 20% do comércio de uma localidade essencialmente rural vai virar mato, e por efeito cascata, 20% desses empregos desse comércio também vão virar mato. E quem garante que esses números terão algum impacto no meio ambiente? São baseados exatamente em quê esses estudos? Ou é só lobby internacional?
Pode ser tanto mato que além de salvar o planeta, quem sabe dá para pensar grande e salvar a via-láctea! Após esse grande feito, será enfim essa classe valorizada?

abril 25, 2009

“Os fatos são sonoros mas entre os fatos há um sussurro. É o sussurro o que me impressiona”. C.L.

granelloSim, vamos celebrar, tirar fotos e registrar esse momento importante para a metade sul do RS e para a cidade de Lavras do Sul. Vamos comemorar a abertura oficial da colheita da soja. Vamos sorrir porque choveu no Salso, porque choveu no Galpão, porque choveu na “Esquina dos Eucaliptos”. Vamos agradecer porque plantamos “no cedo” e a falta de chuva no final não nos derrubou. Vamos receber o Estado em nossa terra nesse bom momento, vamos ser hospitaleiros e dizer: “por aqui, Governadora, dirija a máquina e colha o grão” – como um gesto simbólico.
Mas vamos lembrar que muitos plantaram “no tarde” pela falta de chuva e hoje não estão na foto, e muito menos sorrindo. Esses sim, precisariam que o Estado estivesse mais próximo, correndo na mesma direção – com um gesto efetivo.
Para a soja e seu mercado internacional, o momento me parece favorável, tanto em relação às variáveis controláveis, quanto incontroláveis (na medida do possível, pois o custo de produção é um dos mais altos do mundo, juros relativos pesados e o subsídio do governo zero). E o trigo? Alguém me explica a situação do trigo, por favor. Importamos grande parte da Argentina, mas temos condições e vocação para plantar, mas ao contrário da soja, o trigo pauta-se no mercado interno, este que não oferece condições, inclusive em função dos acordos do Mercossul, como os que envolvem o setor automotivo. Afinal, somos hermanos, não? Claro que não, isso não tem nada a ver com laços, são acordos para que se mantenha a balança comercial entre Brasil e Argentina equilibrada. Resultado, festejamos também a boa safra de trigo, mas lamentamos que mal seja possível pagar os custos de produção. Qual é a graça? Produtores que na metade sul do RS deixaram de colocar gado no pasto para plantar trigo já começaram perdendo, pois o jogo é de cartas marcadas, e independentente de termos a vocação para o plantio de trigo, como setor primário, também temos vocação para perder o jogo.

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Mas o governo e um fortíssimo lobby internacional acenam com uma missão nobre para os produtores: a de salvar o planeta! (assunto para um outro post, porque agora eu vou tomar um café)
granello
granello
granello

já que sou chata…

abril 18, 2009

Em nosso estado democrático de direito há um fôlego canalizado no “democrático”, e isso é natural, já que não estamos muito distantes de uma ditadura. Por outro lado, o “de direito”, em todas as instâncias, sobrevive nos discursos, mas anda sem ar no momento da aplicação concreta. O respeito ao ordenamento jurídico estabelecido deveria ser impositivo, mas persistem em nossos genes políticos resquícios de um sistema fechado, unificado, sem fiscalização, e portanto, propício ao descumprimento da lei, desde os desvios aparentemente inofensivos até as mais graves formas de corrupção.
Por razões como essas, considero o papel fiscalizador do parlamentar de extrema importância, inclusive no controle das leis produzidas pelo Poder Executivo.
É com a fiscalização que o sistema irá abrir-se e tornar-se mais transparente, aliás, transparência é a palavra que ecoa nos microfones e nas tribunas e se ausenta fácil quando o assunto é a realidade. Previsto na Constituição, um dos princípios da administração pública, ganha nova coloração, onde está escrito princípio da publicidade, entende-se modernamente transparência, tamanha a resistência em acatá-lo. Eventos são criados, slogans, sites, enfim, vale celebrar a reinvenção da roda, a transparência – do outro, de preferência – na maximização do elementar.
Mas quando falo em fiscalização, evidentemente não me refiro a denúncias oportunistas norteadas pela conveniência partidária, e muito menos à instalação de CPI’s com a ênfase no meio e não no fim, ou seja, não importando o resultado, mas o circo montado.
A criação de comissões especiais, de comissões parlamentares de inquérito e os pedidos de informações feitos pelo Legislativo às autoridades do Executivo são alguns dos mecanismos previstos e que poderiam ser eficientes. Porém, os vínculos partidários entre os poderes e o comprometimento em manter a governabilidade – os tais governos de coalizão – se sobrepõem à importante função parlamentar de fiscalizar, corrigir e até punir as ações do Poder Executivo.
Se é de senso comum hoje o que já pensava Montesquieu, de que é preciso que o poder freie o poder, é um contrassenso que esses mesmos PHD’s em não fiscalizar sejam constantemente alçados à Corte de Contas Estadual, que por sua vez julga inclusive as contas do parlamento.
Penso que esse ciclo mantenedor, que rege o sistema, ainda está bem gravado em nosso DNA político. Que avance logo o rastreamento genético, que temos o dever de começar pelo voto.

people don't change, colors change...

people don't change, colors change...

Ao futuro eu peço perdão por ter pressa e por ter dito “não dá” em um momento de desilusão.

De nada adianta a minha pressa inútil, pois enquanto existir o presente, estarei pensando no futuro. Será, então, para mim, inesquecível esse menino.

E já que é um menino, voilà: ele teria olhos verdes – por motivos óbvios – e cabelos, que de tão macios, deixariam a minha mão escorregar, para que eu pudesse fazer um carinho e não me prender, e assim, recomeçar o carinho.  Ele teria a mesma idade que eu tenho, ou pelo menos, pensaria que sim.

Teria o cheiro do melhor café – o cheiro que me faz recomeçar a cada dia, assim eu sentiria a sua presença, mesmo sabendo que ele não está aqui, mas ali: um segundo, um dia ou uma vida inteira na frente.

Ao futuro eu entrego tudo o que foi sonhado e não vivido. E no sonho cabe o que há de melhor. O grande amor, a promessa, um frio na barriga, um arrepio. Um mal estar que é bom, sim, para o futuro isso é possível, porque ele desconhece o impossível. Um lugar seguro, tranquilo, onde deve estar guardado tudo aquilo que pode completar a minha vida.

Tenho a certeza de que por mais perto que eu chegue, não será perto o suficiente. Queria fazer nossas linhas paralelas, para que ele, tão feito de esperança, pudesse andar ao meu lado.

Mas aceito, no futuro eu não posso tocar, mas é tão bom pensar que ele sorri quando pensa em mim. Que ele está de braços abertos, esperando, esperando e esperando para me abraçar.

 

 

 

Por Coração

 

 

 

 

Lavras

if i fell

abril 5, 2009