O Poeta

maio 31, 2009

Acabei de ler Leite Derramado, o último romance de Chico Buarque, apesar da crítica sempre raivosa com o Chico romancista, eu adorei o livro.
O monólogo de Eulálio, um homem velho em um leito de hospital com uma memória confusa, tendo como fundo a história do Brasil, me chamou a atenção, tanto pela maturidade do romancista quanto pelo poeta, que jamais conseguiria se abster.

“Dizem que desgraça atrai desgraça, e é bom que assim seja, os baques me seriam muito dolorosos se eu já não estivesse caído.”

Carta a minha amiga Mari

Se apagássemos a nossa língua o que seria da borboleta, da delicadeza; que restará ao entardecer, a lembrança, a pitanga, a Budapeste. Se esquecermos a nossa própria língua como cantar nossa amizade, como sorrir das nossas culpas, tão doce culpa. Como explicar em outra língua que eu quero combinar como feijão e arroz, queijo e goiabada, carne de sol com manteiga de garrafa. Se olvidarmos de tudo que somos, e somos nossa língua, eu com meu “tumate”, você com a correção, seríamos pedaço de nenhum lugar. Eu gosto do amor porque senti saudade; gosto da felicidade porque conheço a dor. Gosto do beijo porque sinto desejo e por desejo digo tudo o que eu sou. Gosto da feijoada porque já tive fome, do cachorro porque é peludo; e gosto de você porque não sei por quê.

Cris.

A única forma de esquecer aquelas palavras ditas era esquecendo a própria língua*.
Maneira bonita de dizer que algumas coisas são inesquecíveis, mesmo quando desejamos o contrário. E que são intensas, ainda que contra a nossa vontade.
Esquecendo a própria língua, esqueceríamos tudo aquilo que um dia dissemos, todas as vezes que abrimos o coração, e também, o que ouvimos, esqueceríamos tudo que desejamos ter ouvido e não nos foi dito, esqueceríamos por consequência, a dor que esse silêncio nos causou. Uma nova língua seria um novo começo, mas perderíamos para sempre a palavra saudade.
E quando a dor nos fizesse perder a fé, a que temos em nós mesmos, então, esqueceríamos o medo, seria tudo “sim” e nada “não” (já em uma segunda ou terceira língua), mas perderíamos para sempre a nobreza de sermos corajosos. E quando alguns espinhos nos cortassem muito profundamente, deixando cicatrizes entreabertas, esqueceríamos a primavera, mas perderíamos para sempre o renascimento da natureza. E quando a ilusão só nos trouxesse desilusão, esqueceríamos o sonho, e para garantir, os de olhos fechados e os de olhos abertos, mas perderíamos para sempre a esperança do “para sempre”. E quando nosso coração fosse partido e destruído por um amor fracassado, por ser tão intenso esse sentimento, ele só deixaria de existir se todo o amor deixasse de existir, mas perderíamos para sempre o amor.
Se fosse possível eliminar os pedaços de vida e partes do caminho, ainda assim, penso que mudaríamos poucas coisas, porque precisamos da saudade para provar que valeu a pena, da coragem para renascer, da esperança para reencontrar o amor, do amor para sentir saudade…

* frase do filme Budapeste.

Estas palavras me encheram o dia de alegria (talvez porque não sejam apenas palavras) e também os olhos de lágrimas…
Sim, não tenho dúvida, pertencemos a algum Band of Brothers, my brother.

Maurício: Para falar de ti, devo antes sair a reculutar os vocábulos matreiros que teimam em fugir, pois como tu disse, hoje faço parte da turma dos primos grandes, e para mim isto representa acima de tudo uma responsabilidade, pois sei que faz com que meus espelhos de sempre passem a esperar algo mais de mim. “isn’t it ironic…don’t you think?”
Quero que tu saiba que não me assusta pensar que quase fui afogado por ti e pela Carol, pois embora a física permita, este é um ponto a que minha imaginação(muito fértil por sinal) insiste em não me levar, fazendo com que Newton entregue este caso a Freud, e enquanto eles discutem quero te dizer que estou aqui pra tudo, mesmo que este tudo seja quase nada. E quanto às palavras que eu disse que fugiram, acho que para pessoas como tu elas talvez não existam.Um grande beijo.Maurício
“From this day to the ending of the world, but we in it shall be remember’d; We few, we happy few, we Band of Brothers; For he today that sheds his blood with me shall be my brother.”
Henry V
W.S

ilusão tentar descrever essa união
ela é desventura e amor
desgaste e renovação
é amizade e trégua
ele realmente não cabe em uma definição

é preciso vivê-la e descobri-la

Aos queridos Lila e Tiago, felicidades!

Spain

Spain

Maurem e Bruno, meus primos queridos. (eles nem sabem que estão aqui!)

Maurem e Bruno, meus primos queridos. (eles nem sabem que estão aqui!)

Os partidos da base governista estão em uma posição confortável em relação a CPI. Embora os argumentos de alguns parlamentares sejam fraquíssimos na tentativa de manter seus posicionamentos, eles precisam garantir a governabilidade, os cargos, os acordos, enfim, não importa o que realmente pensam os deputados eleitos, eles deverão seguir o pensamento da bancada, e a bancada não é ninguém, a bancada não será eleita ou rejeitada no ano que vem. (Fazer parte da base governista é invejável, ironicamente eu poderia dizer isso. Nada mal ter uma bancada para se esconder de vez em quando.)
Já em relação à oposição a minha descrença fala mais alto: lamento muito que a maior motivação seja as eleições do ano que vem e não a consciência política.
Para o PDT – o partido que poderá dar voz à CPI – essa comissão fortalecerá ou derrubará o governo. Mas se chegaram a esse consenso, então qual a dúvida? O que teme o partido? A derrubada ou o fortalecimento?
Mas a principal pergunta seria qual o lugar do PDT nesse capítulo da política estadual? Não fazer parte do governo e também não se caracterizar por dura oposição não pode servir de desculpa para ficar no meio do caminho.
Difícil mesmo está sendo ver o lado bom nisso tudo, quem não está em cima do muro, está mal posicionado e quem demonstra interesse em esclarecer os fatos quer mesmo é holofote.
No meu modo simplista, admito, de interpretar, devo dizer que nenhuma assinatura derrubará o governo. A primeira, a do requerimento para que seja instaurada a CPI, é apenas a forma de viabilizar um dos instrumentos de fiscalização, ou seja, uma obrigação do parlamento e uma de suas próprias razões de ser. A segunda assinatura, a do impeachement, também não derrubará o governo, a menos que se prove o contrário. Somente os atos cometidos pela governadora poderão ter a pior consequência para o Governo: vir abaixo!
A corrupção será o carrasco, se for o caso. E se não for, que venha a redenção. (ou reeleição).

chez.basque

maio 7, 2009

bom… o bistrô pode parecer francês, mas esse sotaque parece “da lavra”.
hahahhahaha brincadeira, claro, a nossa chef foi ótima!!!

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?contentID=61604&uf=1&channel=40

72 horas em SP.

maio 5, 2009

Uma maratona para conhecer a Maria, matar a saudade dos meus primos e tios, e claro, organizar uma super Virada Cultural Familiar e Particular. Deu tudo mais do que certo.. .
A Maria é linda, uma princesa de olhos azuis, parecida com a Natália, a princesa de olhos verdes. São Paulo tem para mim, agora, a cor desses olhinhos, tão doces e tão familiares.
A conversa com a Adriana no primeiro dia foi especial (in vino veritas), coisa difícil com qualquer pessoa, mas fácil com ela, pois permanece uma sensação de que não preciso completar a frase…
Sábado foi o dia de passear pela Oscar Freire e comer um troço bonito de chocolate na confeitaria portuguesa chamada O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, que não era nem o melhor do mundo, nem bolo, era uma torta. (parece que os conceitos de bolo e torta são ao contrário em Portugal).
Domingo: superação! Respeitando, claro, as mamadas de 3 em 3 horas da Maria, eu e a Bárbara corremos pela cidade, literalmente. Fomos a MASP ver a exposição Pirelli de fotografia, eu achava que era do famoso calendário da Pirelli, a Bárbara também, quanta ignorância, era uma exposição do acervo de fotos do MASP, que comparada ao calendário, ficou meio sem graça… Esse mal entendido nos levou à exposição vizinha de um brasileiro que faz uma arte interessante entre pintura, escultura e fotografia: Vik Muniz. Ok, não vimos as mulheres bonitas da Pirelli, mas vimos algo bom. Gostamos. Saindo de lá, o melhor da festa, fomos ao teatro ver As Centenárias, com Marieta Severo e Andrea Beltrão, um espetáculo de talento e bom humor. Amamos. Para encerrar a noite, a Pizzaria Speranza e a melhor margherita do mundo (do meu mundo gastronômico, claro, pois a melhor já sei que fica em Napoli e parece que custa 1 euro). Aproveitei e tirei umas fotos ótimas do Antônio (pretty boy) que vou negociar com a Adriana…
Segunda ainda deu tempo de passar na Nespresso para comprar alguns cafés e parece que já fez efeito… Estou agora em Congonhas, ligada na tomada, talvez daqui a 72 horas eu volte a dormir.

obs. finais: claro que me atordoei um pouco com as crianças, fiquei braba que a Adriana furou domingo, fiquei com medo de virar alguma coisa na toalha hahaha, o Alexandre não me deu muita atenção… (é pra vcs saberem que sempre dá pra melhorar… não demora eu tô de volta!)