Lavras tem o cheiro de lenha queimando, a sensação de água congelando e o som de um silêncio que se espalha pelo vento. Lavras tem os meus avós, os nossos acampamentos, os jogos de família dentro d’água. Lavras é o fim do mundo. Mas alto lá, não vá concordar! Lavras tem a chave da minha infância, e pelo que lembro, passei embaixo de um butiazeiro ou em cima de uma árvore. Lavras tem os meus irmãos pequenos, meus primos criados como irmãos, tem o “entra e sai” na minha casa. Lavras é o fim do mundo. Mas alto lá, não ouse concordar! Lavras tem “lá fora”, tem carreira de cavalo proibida no meio da estrada com a Baia Grande. Lavras tem uma menina cheia de terra, cheia de tinta e de machucados. Lavras tem uma menina com uma bola na mão, sempre. Lavras tem a riqueza das descobertas plenas e verdadeiras. Lavras não tem nada de fim. Lavras é o começo do meu mundo!

COMO EU FIQUEI FELIZ DE ENCONTRAR ESTA SURPRESA (ABAIXO) EM UM BLOG DE UMA GRANDE AMIGA.

8de junho

Palavras, palavras, PLÁGIOS

Santo Antônio do Leite (Lavras) tem o cheiro de lenha queimando, a sensação de água congelando e o som de um silêncio que se espalha pelo vento. Santo Antônio do Leite (Lavras) tem os meus avós, que não conheci, mas que estão lá, (os nossos acampamentos) as nossas festas santas, (os jogos de família dentro d’água) as trilhas no mato. Santo Antônio do Leite (Lavras) é o fim do mundo. Mas alto lá, não vá concordar! Santo Antônio do Leite (Lavras) tem a chave da minha infância, e pelo que lembro, passei embaixo de uma jabuticabeira (butiazeiro) ou em cima de uma árvore. Santo Antônio do Leite (Lavras) tem os meus irmãos pequenos, meus primos criados como irmãos, tem o “entra e sai” na minha casa. Santo Antônio do Leite (Lavras) é o fim do mundo. Mas alto lá, não ouse concordar! Santo Antônio do Leite (Lavras) tem “lá fora”, mata-burro e céu estrelado (carreira de cavalo proibida no meio da estrada com a Baia Grande). Santo Antônio do Leite (Lavras) tem uma menina cheia de terra, cheia de tinta e de machucados. Santo Antônio do Leite (Lavras) tem uma menina com uma bola na mão, sempre. Santo Antônio do Leite (Lavras) tem a riqueza das descobertas plenas e verdadeiras. Santo Antônio do Leite (Lavras) não tem nada de fim. Santo Antônio do Leite (Lavras) é o começo do meu mundo!

Cristiane Calazans (Mariana Abascal)

P.S. Meu primeiro plágio. Como eu queria ter escrito este texto.

Como está não dá para ficar. Mas qual a forma mais apropriada de reforma político-eleitoral para a nossa democracia? Digo apropriada porque perfeita não existe.
Comparo essa reforma que anda circulando por aí à outra reforma, a ortográfica, acanhada e sem justificativa convincente.
Fala-se em fortalecimento de partido com a lista fechada e combate à corrupção com o financiamento público de campanha. Ironicamente, o Brasil, com 46%, está até acima da média em fidelidade partidária em relação às principais democracias internacionais, que é de 43%. Outro dado curioso é que em torno de 90% das votações no país são feitas prevalecendo a vontade dos líderes, demonstrando que em relação às lideranças, os partidos têm força. Resta saber se esta é a força desejada? Se o partido deve ser forte em relação aos integrantes ou em relação aos eleitores? Essas questões mostram que talvez os argumentos usados para que se realize uma reforma hoje estejam equivocados.
Que a reforma é necessária, não há dúvidas, mas é preciso primeiro estabelecer quais as razões para fazê-la e como ela irá trazer benefícios reais para o processo democrático. Como chegar perto do ideal? Sem clientelismo, mas também sem máquinas partidárias oligárquicas?
E o voto distrital, por que não se discute? Já que é o modelo utilizado pela maioria das grandes democracias. E também sua forma mista, a exemplo do praticado na Alemanha?
Essa é uma discussão nossa, não apenas da classe política, a sociedade precisa da reforma. Mas queremos reformar a lei, queremos mudar a forma, queremos solucionar através de papéis, mas a nossa crise é maior, precisamos mudar nossa cultura, nossa maneira de enxergar o que é público, precisamos nesse caso, mais que uma reforma, precisamos derrubar a casa e construir de novo, com paredes sólidas de consciência social e telhados não de vidro, mas de moralidade.

A certeza de que sempre existem pelo menos dois lados em uma determinada questão é uma atual constante em minha vida.
E a busca pelo equilíbrio começa em acreditar nesses diferentes pontos de vista. Para a mim, admito que não é muito fácil, pois tenho a tendência a opiniões extremadas, a sentimentos intensos, a um certo radicalismo, enfim, a minha balança de libriana tem a mania de pender fortemente para um lado. Não sei nada de signos, mas já que mencionei, talvez o “desejo do equilíbrio” seja a característica que carrego desse signo. O meu esforço é manter a balança na horizontal, além de um exercício, é uma tentativa muitas vezes frustrada.
É fácil confundir equilíbrio com falta de opinião, com falta de convicção, algo meio em cima do muro, algo meio conforme a maré. Ter equilíbrio, para mim, é o contrário, é conhecer todos os lados – na medida do possível, se reportar, se espelhar e ter uma opinião seja ela qual for (ou não ter, se ainda não estiver madura). Penso que é preciso ter cuidado com as certezas absolutas, como o “nunca”, como o “sempre”, mas isso não exime ninguém de ter um posicionamento, de ter coerência, opinião.
Quem fica muito pelo meio do caminho, atrapalha quem quer passar, atrapalha quem tem algo a dizer, atrapalha quem sabe aonde vai… fica ali, no meio do caminho, como aquela pedra do poeta.

E assim, sem oferecer nada em troca, sem perder o mínimo de seu tempo, quase sem existir, ele existia profundamente em todos os olhares que eram apenas dela. Racionalmente, nem mesmo ela acreditava que alguém que não estava, que não era, fosse capaz de levá-la desta forma, tão por inteiro. Tudo o que sentia era mais revolucionário que seu próprio pensamento. Foi com a mesma intensidade dessa entrega que ela desejou o dia em que seus olhos não o vissem mais na multidão, e que ele, enfim, mesmo não estando, mesmo não sendo, pudesse trazê-la de volta, ainda que não fosse por inteiro.

Motivada pelo que li no blog do meu primo Maurício, senti a vontade de relembrar de alguma forma o dia do desembarque na Normandia. (Alerto que não domino o assunto como ele.)
Se na Segunda Guerra Mundial perdemos cerca de 55 milhões de pessoas, hoje, 65 anos após o Dia D, me remeto aquele momento pensando nas perdas atuais em nosso país.
Perdemos uma guerra hoje, assim como perdemos ontem e perderemos amanhã. A guerra contra as drogas, contra a violência, contra a corrupção, a guerra contra a desigualdade, a miséria, contra o trabalho escravo, a pedofilia, a falta de educação, entre muitas outras que nos devastam como sociedade.
Enquanto a ganância se sobrepõe ao mínimo de integridade e aparecem fraudes até com merenda escolar, enquanto os poderes decidem que bandidos de colarinho branco não podem ser algemados e chamam isso de pacto federativo, enquanto nossa classe política, aquela que nos representa, cai em absoluto descrédito, em uma sequência de escândalos, vamos perdendo a esperança e a coragem.
Enquanto muitos jovens morrem no trânsito por falta de educação e prudência, enquanto uma criança é jogada pela janela, outra é arrastada até a morte, e outras andam armadas com metralhadoras, vamos assistindo, entre perplexos e acostumados, a cenas de absoluto horror, que faz o nosso Dia D se diluir em um tempo que parece não ter volta e nem fim.
Com essas guerras perdidas, vamos perdendo nossos soldados, muitos deles, ainda soldadinhos, que deveriam estar com uniforme escolar, lutando com armas mais nobres por uma vida melhor.