CPI é um direito meu.

julho 24, 2009

E teu. E de todos. Falo em direito não por ilusão, não por imaginar que uma comissão parlamentar de inquérito seja capaz de contribuir substancialmente para uma mudança na vida política a curto prazo.
Mesmo sendo legítima a leitura que faz a base governista de que as intenções de uma CPI são muito mais eleitoreiras do que qualquer outra coisa, esse argumento não muda o fato de uma CPI ser um direito nosso e um dever do parlamento. Pois se entrarmos nesse mérito, de que não adianta, de que é tudo uma grande encenação da oposição, facilmente seremos levados a pensar o seguinte: se de leis estamos fartos e se um importante instrumento de fiscalização do legislativo não pode ser utilizado por falta de responsabilidade dos seus membros – ora, ora – para que serve então o parlamento, já que constitucionalmente legislar e fiscalizar é o que justifica a sua existência?
Há os que dizem que CPI não dá em nada, eu contrario, dá sim, evidentemente não se esperarmos uma investigação policial ou um resultado de competência do ministério público ou judiciário, entretanto, como uma forma de disponibilizar para os cidadãos informação e conhecimento sobre aqueles que compõem o cenário político. É um assunto que deve ser tratado justamente por quem nos representa, é levar a discussão para dentro de casa, é fazer pensar, é politizar.
Vamos imaginar que CPI é um grande palco, representativo da vida real, com uma plateia imensa observando, criticando, concluindo, acho que sairíamos mais conscientes e mais cidadãos dessa temporada.
Se alguns políticos fazem mal uso desse instrumento, é preciso que haja educação também para isso, e se não for por bem, que ambos os lados aprendam na marra, nem que seja por medo de verem seus nomes impressos nos jornais. Se os chefes de poder, eleitos legitimamente pelo nosso voto tem comportamentos duvidosos em relação à honestidade, à idoneidade, à ética, que passem também a duvidar da impunidade.

gran

julho 23, 2009