“Morreu o Saramago”, me ligou um amigo… Fiquei triste com a notícia, evidentemente, mas confortada pelo telefonema, pois de certa forma me senti próxima ao escritor, sendo “comunicada” sobre sua morte. Estou com aquela sensação que seus livros sempre causam em mim: a de ficar de mãos vazias quando chego na última frase. Só que agora com muito mais pesar.
Já perdi a conta das vezes reli a última página de O Evangelho segundo Jesus Cristo. Já parei muitos momentos o que estava fazendo para pensar sobre a genialidade de O ensaio sobre a cegueira. Já ponderei sobre a controversa “Morte” e recomendei (inclusive aqui) o Intermitências da Morte, e quando relembro essa leitura, volta sempre a sensação de impacto.
Enfim, já ganhei muito tempo nesta minha vida com esse lusitano-inusitado José Saramago, que fez sua obra “como quem pinta uma capela sistina para a eternidade”

Obs.: Fernando Meirelles teve a capacidade de reescrever nas telas do cinema O ensaio sobre a cegueira. Essa é a prova de que realmente pode ser imortal uma boa ideia.