Para Cachinhos Dourados

junho 22, 2012

 

Qual é a idade da vergonha? Quando começamos a morrer de vergonha e a hipervalorizar coisas que antes não valorizávamos? Pois é, bebê, na lotação eu quase te matei de vergonha! Estávamos indo ao shopping Iguatemi, cheias de mochila, casaco, bolsa e bolsinha, quando eu comecei a desconfiar que não tinha dinheiro para pagar a lotação. Revirei a bolsa e achei no máximo R$ 0,20. Olhei para ti e com os olhos arregalados começaste a sofrer: “aaaaiiiiii nãoooooo, tu pode até ser presa por isso, mammy!” Eu, já com ataque de riso, seguia procurando em vão algumas moedas que nunca chegariam ao valor de R$ 4,25. Em uma bolsinha encontrei uns trocados de dólar, uns $ 47 – e tu tiveste a ideia de pagar com esse dinheiro. Eu me levantei fui até o motorista e comecei a me explicar e mostrar os dólares trocados, sabe aquela explicação que de tão detalhada e atrapalhada não convence ninguém? E aqueles dólares, tenho certeza, deram um toque de insanidade à cena. Pois é. Voltei para o lugar e tu: “ai, esse é, disparado, o pior dia da minha vida!!!” Bom, aí recomeça o riso e o calorão. Tentei novamente: “Moço, o senhor vai ficar no Iguatemi? Pois eu poderia descer e sacar dinheiro”. Ele interrompe: “Não, não fico no Iguatemi”, com uma cara nada simpática. De repente eu ouço uma voz que veio do meio da lotação: “Pode deixar que eu pago, isso já me aconteceu antes”. A voz da salvação! Nem fingi recusa, agradeci, me expliquei mais um pouco e podia ter parado por aí… Porém, resolvi insistir, já em pé na lotação me equilibrando, para que ela ficasse com alguns dólares, ai meu deus, eu quase nos mato de vergonha, Rafaela.

 …

A partir de então, minha filha, saiba que estás incluída em uma promessa, se alguém se desesperar na lotação ou no ônibus por ter esquecido o dinheiro, a gente se oferece para pagar. Salvar alguém da cadeia em uma hora dessas, nos fará muito bem.

 

 

Soneto de Aniversário

junho 19, 2012

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amigo meu, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Poetinha

Para Cachinhos Dourados

junho 18, 2012

Filha, se eu te digo “sem televisão”, tu respondes “ora, que pena”, se eu te digo “sem computador”, “ora, que pena”, “sem brinquedos”, “ora, que pena”. Agora, se eu te digo “sem brincar com as amigas”, “nãooooooo, se eu soubesse que seria esse o castigo eu não teria feito”. E eu, obviamente respondo “ora, que pena.”

Enfim, tudo pode acontecer, menos a sentença de não brincar com as meninas.

Durante aquelas longas conversas em que eu te explico a importância de estudar, ser persistente, não desistir de uma tarefa difícil, tu me desarmas dizendo “mas eu preciso me divertir com as amigas, não posso ficar só estudando, qual a graça?”

Na grande maioria das vezes nem é por castigo, mas por falta de tempo que o encontro com as amigas é adiado. O dia se encurta quando os pais querem mostrar e os filhos conhecer. Eu quero te mostrar os instrumentos musicais, a dança, o clube de ciências e as aulas mais diversas. O dia se encurta quando vivemos em uma cidade na qual perdemos tempo no trânsito e no computador. Quando somos crianças ou pais cansados que precisam aumentar a noite para descansar, porque no outro dia recomeçam todos os afazeres que nos encurtou o dia anterior.

Por tudo isso, minha filha, concordo contigo. Precisamos de alegria para viver cada minuto desse dia que costuma ser maravilhoso, mas que às vezes nos exige bota de chuva, capa, antialérgico, que nos atropela com reunião difícil e pilhas de papel acumulado. Desse dia que não espera, porque o Tio Miro não espera, a escola não espera, o pediatra não espera (e nos faz esperar), porque a fila do banco e do super também nos fazem esperar. Nesse dia que nos contraria. De que mais precisamos senão de uma amiga que nos diga sim para todas as nossas invenções? Com as amigas – minha amiguinha, o impossível se encena, se desenha, se imagina.

Juntas vocês são gêmeas, mães, pintoras, cantoras, bailarinas, médicas e o que mais desejarem. Juntas vocês ensaiam a vida, fazem testes e dão boas risadas, sem objetivos, sem limites. E é isso, minha filha, tens razão com o teu argumento. Qual a graça? Sei que a pergunta é retórica, não vou responder, vou além: Qual a beleza? Qual a magia? Qual a graça de viver sem as doses de delicadeza de uma amiga que seja do tamanho do nosso sonho?

Fofoletes Caipiras

junho 18, 2012

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pré-mesa

junho 15, 2012

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Carta ao Tom 74

junho 13, 2012

 

Eis o Tomzinho e o Poetinha. A coisa mais linda que eu já vi passar.

Assisti pela décima vez ao filme Vinicius  – de Miguel Faria Jr., e senti uma alegria imensa por isso, pois a música que mais toca em mim é a música brasileira.

Definitivamente a rua Nascimento Silva, 107 é o meu endereço musical. E de lá eu não me mudo.

Para Cachinhos Dourados

junho 13, 2012

Meu bebê, ontem te contei uma historinha inventada, o tema era a menina sem namorado que prepara com carinho o dia dos namorados. Essa menina pensava nos presentes, no jantar, no cartão, na decoração e até na trilha sonora – black bird dos beattles,  afinal, era uma celebração importante. Porém, ela tinha 7 anos e, evidentemente, não tinha namorado e, consequentemente, não ganharia presente.
Esse fato, lá no fundinho a deixava um pouco triste e na hora de dormir esboçou até um chorinho.  Mas de  repente, com a ajuda da mamãe, o dentinho mole caiu.
Bom, a personagem principal dessa história, tu, minha filha, ganhaste o melhor presente de todos, uma porteirinha! E para completar o the best ever valentine’s day, como definiste, hoje de manhã, a fada do dente te deixou aquele esmalte que brilha no escuro.

Meu amor, esse teu sorriso incompleto me completa.

The mad boy.

junho 12, 2012

He was 50 years old and he didn`t have friends. His house was big. He had a huge garden. He was really a mad mad boy.

He didn`t let the children play in his garden. He used to be angry all of the time, like at night, in the evening, in the morning and all of the days.

Every time the children went there and he SHALTED:

– Step out of my garden right now.

The children said:

– ok weeeeee are gggoooiiinnnggg right now.

He always said:

– so then go!!!

The children went running. By mistake they steped on the flowers and then… crashhhhhh crashhhhhhh. The mad boy shalted as high as he could

– AAAAAAAAAAAAAAA

The children knew what was going to happend, they closed their ears and then…

– come here.

The children was very very scared. The mad boy said:

– one step forward!!! quiqly they did.it.

– Who destroied my plants?

– We did!

– Then FIXED!!!

They finished organizing the plants and went running to their homes and then crashhhhhh crashhhhhhh ooooooooooooooo noooooo again…

The End

 By Rafa D.

Dormindo na casa da amiga.