Para Cachinhos Dourados

outubro 1, 2012

Fizemos um trato. Te dei de presente o box Diary of Wimpy Kid, com quatro livros. Combinamos que a cada livro terminado, ganharias um presente, desde que fosse viável, a tua escolha. No início, fiquei em dúvida se estava fazendo a coisa certa, pois “comprar” a leitura de um filho, em princípio, não parece uma atitude nobre. No final da primeira etapa, percebi que foi muito bom e te explico o porquê: a leitura, principalmente no início, é um esforço, sem dúvida, e todo esforço pode ser recompensado. Mas claro que adverti: lê quando quiseres and have fun! Com 7 anos, encarar 200 páginas em outra língua é um exercício mental que anda na contramão da idade do imediatismo, do apelo da televisão, dos brinquedos, do sofá. Ter o hábito de ler requer concentração, trabalho e dedicação. A consequência é sensacional, como aumento do saber, da autoestima, do entendimento, do discernimento, do autoconhecimento, enfim, muitas coisas boas que, justamente por serem boas, devem ser merecidas. Voltando ao prêmio: escolheste uma melissinha, não sei se foi a causa, mas nunca te vi tão feliz com com um presente. Na realidade, já escolheste os outros três presentes também!

Sempre penso que um sentimento comum entre mães é ficar feliz ao ver um filho pequeno comendo frutas e verduras. Quando te vejo lendo, concentrada, ainda fazendo aquele barulhinho bi, bi, bi, bi, tenho essa sensação maravilhosa: a de que estás te alimentando com o melhor da vitamina A, B, C e D.

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O Millôr que faz falta.

outubro 1, 2012

“Ser político é engolir sapo e não ter indigestão, respirar o ar do executivo e não sentir a execução, é acreditar no diálogo em que o poder fala e ele escuta, é ser ao mesmo tempo um imã e um caleidoscópio de boatos, é aprender a sofrer humilhações todos os dias, em pequenas doses, até ficar completamente imune à ofensa global, é esvaziar a tragédia atual com uma demagogia repetida de tragédia antiga, é ver o que não existe e olhar, sem ver, a miséria existente, é não ter religião e por isso mesmo cortejar a todas, é, no meio da mais degradante desonra, encontrar sempre uma saída honrosa, é nunca pisar nos amigos sem pedir desculpas, é correr logo pra bilheteria quando alguém grita que o circo pega fogo, é rir do sem-graça encontrando no antiespírito o supremo deleite desde que seu portador seja bem alto, é flexionar a espinha, a vocação e a alma em longas prostrações ante o poder como preparação do dia de exercê-lo, é recompor com estoicismo indignidades passadas projetando pra história uma biografia no mínimo improvável, é almoçar quatro vezes e jantar umas seis pra resolver definitivamente o problema da nossa subnutrição endêmica, é tentar nobremente a redistribuição dos bens sociais, começando, é natural, por acumulá-los, pois não se pode distribuir o pão disperso, e é ser probo segundo autocritério. E assim, por conhecer profundamente a causa pública e a natureza humana, estar sempre pronto a usufruir diariamente o gozo de pequenas provações e a sofrer na própria pele insuportáveis vantagens.”

Rafa

setembro 30, 2012

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Para Cachinhos Dourados

setembro 23, 2012

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Por quem os sinos dobram.

setembro 14, 2012

Do jeito que as coisas andam, chego a pensar que o mundo é dos caras de pau. No trabalho, lugar propício para buscar um lugar ao sol, a gente vê de tudo. Pessoas que ultrapassam certas barreiras, inclusive do ridículo, acabam conseguindo o que desejam, seja um melhor posto, seja um benefício. Bueno, mas vim aqui falar do cara de pau mór: Paulo Coelho, que em recente entrevista afirmou: Sou o intelectual mais importante do Brasil. Dio! E o melhor foi a justificativa: Porque tenho alguma coisa a dizer. E para todo mundo, e não entre os intelectuais. Alguém que encontrou, além da pedra filosofal e do elixir da longa vida, a fórmula mágica para vender livros, usando a carência intelectual e afetiva de um público imenso de leitores, através da autoajuda, não é intelectual, muito menos o mais importante. E quando falo em autoajuda, estou me referindo a uma leitura rasa e com uma linguagem que impulsiona a solução fácil, o pensamento encurtado. Não custa lembrar que muita coisa boa poderia ser assim chamada. Para mim, O Velho e o Mar, romance de Hemingway – mostra um exemplo de luta, de perseverança e de superação de limites. Da mesma forma, as viagens de Amyr Klink. Outro trecho da entrevista de Paulo Coelho: Nunca digo que vou para o Brasil, porque senão todo mundo vai querer me encontrar ou pedir uma entrevista. Querido mago, te prometo que nem todo mundo. Mas isso de mago, deu uma reviravolta na minha cabeça e me fez voltar ao início, onde eu falava do trabalho, ou melhor, das pessoas no trabalho (talvez só os colegas entendam o gancho). É urgente que se eleve o nível, é urgente que se alargue o pensamento, nem que tenhamos que começar com o básico de ortografia e o mínimo de conteúdo. Precisamos repensar antes de rejeitarmos o chapéu de Administradores de Botequim.

Show Maria Rita

setembro 14, 2012

Dia 22, eu, Rafaela e Helena temos um encontro com a Elis. Definitivamente um encontro entre mãe e filha.

Para Cachinhos Dourados

setembro 12, 2012

Uma vez ouvi do pediatra da Rafaela: cuidar é fácil, difícil mesmo é educar. Mesmo que os afazeres diários com uma criança sejam uma tarefa cansativa, que requer organização e método, não há dúvidas que ensinar e educar (impondo limites) é o que realmente exige habilidade, inteligência e muita paciência dos adultos. Ontem, minha filha, antes do jantar, tentei te mostrar o quanto estavas sendo egoísta ao valorizar demais o que não conseguiste e deixar de lado tudo aquilo que a mamãe fez por ti desde o final de semana: foi um festival de amigas e brincadeiras, agendado e organizado pelas mães. Vendo isso, entre outras coisas, perdi a minha paciência contigo e fui incisiva, sem pena: não admito egoísmo e falta de consideração e blá blá blá – os vizinhos também ficaram sabendo disso! Como para me desarmar, disseste, cheia de lágrimas nos olhos: aiiiii, mamãe, eu queria me renascer. Me recuperei do susto e respondi: Rafaela, tu podes “nascer de ti” todos os dias, a cada vez que repensares e decidires fazer melhor. Sei que me saí bem com a resposta, mas no fundo, vi algo bonito que me encantou profundamente: a humildade, o reconhecimento, a tentativa de se despir de si – completa e dolorosamente, para recomeçar, a disposição para fazer melhor. Minha filha, quando nasceres de ti mesma, lembra-te de que não existe parto sem dor, como já poetizou Mario Quintana e como já vivenciou toda mãe. Mas a cada repensar, a cada mudança, virá à luz uma menina melhor.

Na estrada

setembro 4, 2012

 

Ao estilo “vem que tem, vem que dá”, Na estrada, filme de Walter Salles, do livro homônimo de Jack Kerouac, me agradou – como diria a Rafaela: gostei, mas não amei. Elenco, trilha e fotografia incríveis. O grito de liberdade e ao mesmo tempo, o tom poético, transitam entre a inocência e a rebeldia. A estrada, metaforicamente significando a mudança, a entrada na vida adulta, a transição no pós guerra americano – invariavelmente leva a algum lugar. E onde cada um quer chegar ou a total falta de objetivo é absorvido junto com a fumaça constante no filme. A cabeça lisérgica dos jovens de 16 e 18 anos acelera ao som do jazz e das danças agitadas e descompassadas.

O triângulo vivido por Sal, Dean e Maryloo, coloca no mesmo carro, na mesma estrada três jovens com propósitos diferentes. Maryloo, a menos inconsequente, embora viva intensamente toda aquela loucura, sairia dali a qualquer hora. Sal Paradise busca a grande inspiração, a grande vivência, a energia que precisa para o seu livro acontecer. Dean Moriarty, que parece já ter nascido na estrada, um jovem transgressor que atrai tudo que se move, sem objetivo que perdure ao instante seguinte, não conhece limite algum, para ele, a estrada não termina.

Enfim, Walter Salles acertou a mão quando redesenhou a história, saí de lá com a ideia de que ele tinha feito as escolhas certas. Mas, pelo jeito, muitos leitores de On the road acharam o filme fraco, eu como não li, não fiquei com essa sensação. A ignorância me beneficiou.

pré show

setembro 3, 2012

Pato Fu.

setembro 3, 2012

Eu amei o show do Pato Fu. Foi demais eu me divertir muito porque a Alicia, a Marcela e a Chloe também foram, mas elas ficaram em plateia alta e eu em plateia baixa, mas mesmo assim a gente se divertiu porque depois do show a Marcela foi embora bem rápido e eu, a Alicia e a Chloe fomos na livraria juntas. Nossas mães ficaram conversando e a gente tomou milk shake. O da Chloe era de chocolate, o da Alicia era de morango e o meu  também era de morango.  Depois a gente  foi no dragão que é um lugarzinho para as crianças. Nós lemos Menina bonita do laço de fita.

I love you, Pato Fu.